A ESCOLHA DE PADRINHOS E MADRINHAS PARA O BATISMO

Fontes: Revista Família Cristã de dezembro/2004 – artigo do Padre Antonio Valentini Neto.
Catecismo da Igreja Católica 1213-1281.
PAULO SERGIO

13/10/2011

 

A escolha dos padrinhos de Batismo para as crianças, principalmente com idade até sete anos, deve levar os pais a conhecerem e refletirem bem, antes do convite, sobre a natureza e a função deles.
No âmbito sociopolítico, vigora as experiências negativas de apadrinhamento, que significa favorecimento, protecionismo, privilégio. No eclesial, a escolha de padrinhos nem sempre tem por critério a vivência cristã dos mesmos. Conta muito as relações entre pais e escolhidos, o status, o poder econômico. Os critérios e as regras deveriam ser outros.
O Batismo insere a pessoa em Cristo, torna-a filho adotivo de Deus, integra-a na comunidade cristã (por isso a celebração é realizada em comunidade), torna-a templo do Espírito Santo, morada da Santíssima Trindade. Com este sacramento, o batizando morre para o pecado e vive na graça divina (ressurge para a vida cristã). Por se sentirem felizes de já ter sido batizados e por participarem e viverem sua missão na comunidade eclesial e no mundo, os pais e padrinhos apresentam o batizando para receber o sacramento, garantindo-lhe a educação necessária para ele crescer na fé. Este é um critério anterior à própria escolha dos padrinhos. É condição para a própria realização do Batismo, como está dito no Código de Direito Canônico 868.
Como a comunidade não pode acompanhar individualmente seus batizados, conta com os pais e padrinhos, que se responsabilizam pelo processo de crescimento na fé. Isso exige escolher pessoas da comunidade, próximas, engajadas na solução de problemas sociais, de tal forma que o afilhado possa ter nelas inspiração para sua vida. Assim, na medida em que ele crescer e os pais o levarem à assembléia litúrgica e nela estiverem os padrinhos, for sendo iniciado na catequese, descobrindo e assumindo as exigências de ser cristão, e constatar que os padrinhos se esforçam por viver segundo estas exigências, quando ele tomar consciência da realidade escolar, das iniciativas de promoção humana, de condução honesta e transparente da “coisa publica”, e identificar os padrinhos numa ou noutra atividade, com alegria, poderá dizer: “Quero ser como meu padrinho, como minha madrinha”. Do contrário, o que ele dirá sobre os seus padrinhos, que deveriam ser exemplos?
Quanto às regras e os critérios da Igreja Católica Apostólica Romana para a escolha de padrinhos e madrinhas, A Introdução Geral do Ritual do Batismo de Crianças, n° 10, diz: “O padrinho e a madrinha tenham maturidade para desempenharem esse oficio; estejam iniciados nos três sacramentos da iniciação cristã, do Batismo, da Crisma e da Eucaristia; pertençam à Igreja Católica e pelo Direito não estejam impedidos de exercer tal oficio. Todavia, um cristão batizado pertencente a outra Igreja ou comunidade separada, portador da fé de Cristo, pode ser admitido, ao lado do padrinho católico (ou madrinha católica), como testemunha cristã do Batismo [não como padrinho/a], se os pais desejarem, consoante as normas ecumênicas estabelecidas para os vários casos”.
O Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, na Introdução Geral, n° 43, destaca que é dever do padrinho e da madrinha “ensinar familiarmente ao catecúmeno como praticar o Evangelho em sua vida particular e social, auxiliá-lo nas dúvidas e inquietações, dar-lhe testemunho cristão e velar pelo progresso de sua vida batismal”.
Segundo o Código de Direito Canônico, 874, o padrinho e a madrinha devem ter 16 anos de idade (pelo menos), serem católicos, confirmados (ou crismados), tendo recebido o sacramento da eucaristia e levar vida de acordo com a fé e o encargo que vão assumir (ter coerência entre fé proclamada e vida diária); não se encontrarem atingidos por nenhuma pena canônica; que não seja pai ou mãe do batizando.
O Batismo, como a Crisma e a Ordem, é um sacramento que imprime na alma um sinal indelével, o caráter, que consagra o batizado ao culto da religião cristã católica. Em razão do caráter, o Batismo não pode ser reiterado. Não se pode batizar uma segunda vez. Por isso, os pais devem escolher muito bem os padrinhos e as madrinhas (pessoas de boa convivência, com afinidade com os pais, que participam da vida e do crescimento dos afilhados e conhecem e concordam com a educação dada pelos pais) para os seus filhos.
A Igreja não determina idade para o Batismo. Caso os pais ainda não têm consciência da missão do seu próprio Batismo e deste passo importante na vida espiritual dos seus filhos, é preferível que esperem a criança chegar à idade de sete anos e ela própria peça o Batismo. Nesta situação, a criança será preparada para o Batismo e a Eucaristia. Se chegar aos 15 anos sem o Batismo, ela será preparada também para a Crisma. Nas duas situações, os pais serão chamados para uma preparação, pois eles são os verdadeiros catequistas de seus filhos. Com eles, os pais devem formar a Igreja Doméstica, onde se aprende a amar a Deus e a Igreja; ser Igreja e presença cristã no mundo; ser sacerdote, profeta e rei; ser sal da terra, luz do mundo e fermento na massa.
Os padrinhos são escolhidos para a celebração do sacramento, sinal e instrumento de Deus que passa a graça santificante para os batizandos. Os padrinhos e madrinhas de consagração, figuras da tradição humana, são somente para solicitar a Nossa Senhora ou a algum santo a sua intercessão a Deus por este novo cristão. Os pais e os padrinhos do sacramento do Batismo solicitam melhor, pois tem a força deste sacramento.