A
igreja Católica no Planalto Catarinense - Os primórdios
Situada
no planalto catarinense, numa altitude de 900 metros acima do nível
do mar, a Villa de Nossa Senhora dos Prazeres, hoje cidade de Lages,
é a sede da Diocese do mesmo nome.
Em 1728, foi dada a ordem de traçarem uma estrada do Rio Grande do
Sul é Curitiba, no Paraná. Em seguida houve grandes movimentos de
tropas. Ao sul de Lages, é a distancia de quatro léguas alguns
tropeiros levantaram uma pequena ermida num lugar denominado Cajuru.
Rio Grande, perto situado na entrada da Lagoa dos Patos, tinha sido
ocupado pelos espanhóis. Aos 4 de fevereiro de 1765 e então Márquez
de Pombal mandou um aviso ao Vice – Rei Conde de Cunha, pedindo
ordens para restabelecer a Capitania do Rio Grande do Sul.
Foi nomeado D.Luiz Antonio de Souza Botelho Mourão governador da
Referida Capitania, tomando posse a 7 de Abril de 1766, em São
Paulo. Tendo recebido ordens terminantes de povoar os sertões
bravios da sua Capitania, o novo governador não encontrou mapas nem
roteiro nos arquivos do governo. Por este motivou mandou chamar um
dos vaqueanos dos sertões brutos, o Guarda mor Antonio Correa Pinto
de Macedo, o qual forneceu ao governador um vago esboço daquelas
paragens.
O governador resolveu fundar uma povoação “para fazer testa as
invasões castelhanas” e fortificar o Rio das pelotas, hoje divisa
entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.
Correia Pinto foi nomeado Capitão Mor Regente. Mudou – se com toda a
sua família para aquele inculto sertão, tendo recebido a 9 de julho
de 1766 os respectivos documentos. No mês de Agosto o Capitão
empreendeu a longa e penosa viagem levando consigo uma imagem de
Nossa Senhora dos Prazeres, em pintura, doada pelo Governador,
paramentos sagrados e cálices usados pelos padres jesuítas expulsos
pela Tirania do Marquês de Pombal.
Aos
22 de Novembro de 1766 Correia Pinto chegou em Lages e no dia 1 de
janeiro de 1967 deu inicio á construção da primeira Capela num sitio
chamado “taipas”.Mais tarde mudaram a Capela para a margem do Rio
das Canoas, trabalhando durante sete meses na criação do povoado.
Uma enchente formidável, porem, destruiu toda a obra. Mudaram então,
definitivamente, a Capela para a margem do Rio das Caveiras, a pouca
distancia do local onde hoje se ergue, soberba e majestosa, a
Catedral de Lages um dos mais belos templos do estado, e a jóia do
povo Lageano.
Aos 20 de Junho de 1767 chegaram ao povoado das Lages os primeiros
franciscanos brasileiros os Revdos. Frei Thomé de Jesus e Frei
Manoel da Natividade Teixeira, Religiosos da Província Franciscana
da Imaculada Conceição do Rio de Janeiro, enviados por D. Luiz
Antonio de Souza Botelho Mourão, naquela época Capitão General da
Capitania de São Paulo, afim de criarem e darem principio a uma nova
freguesia com o titulo de Nossa Senhora dos Prazeres, a qual se
obrigou a construir e dotar o Capitão Mor Regente Correia Pinto.
O primeiro vigário foi Frei Thomé de Jesus que tomou posse aos 30 de
Julho de 1767. Até então Lages fazia parte do Bispado de São Paulo;
aos 3 de Maio de 1872 passou a pertencer ao Bispado de Curitiba: com
a criação da Diocese de Florianópolis, aos 19 de Março e 1908, ficou
pertencendo a referida Diocese.
Possuindo o Estado de Santa Catarina uma só diocese, e sendo essa
tão extensa e com numerosa população, que um só Bispo seria
insuficiente e em toda a parte exercer o ministério pastoral, sua
santidade o Papa Pio XI, resolveu elevar a diocese de Florianópolis
á categoria de Arquidiocese e criar duas novas dioceses que são hoje
a de Joinville e a de Lages.
Criação e Instalação da Diocese de Lages
Como
o Estado, ou província, de Santa Catarina possuia uma só diocese,
que é a de Florianópolis, sendo esta tão extensa e com numerosa
população que as forças de um só Bispo são insuficientes para
perfeitamente e em toda a parte exercer o ministério pastoral Dom
Joaquim Domingues de Oliveira, Bispo de Florianópolis, pediu a Sé
Apostólica, para aquela região ser dividida em três partes, e nela
se erigirem duas novas dioceses. Com este projeto concordou o Núncio
Apostólico como também todos desejavam que o Estado de Santa
Catarina constituísse uma província eclesiástica, e que
Florianópolis, capital do Estado, fosse metrópole da nova província.
Assim se manifesta a Bulla: “...determinamos, na plenitude do poder
apostólico, decretar para sempre o seguinte: ...em seguida,
dividimos o território da mesma diocese em três partes distintas, a
uma das que ficara limitada e circunscrita á diocese de
Florianópolis, elevada à Sé metropolitana, como abaixo se dirá. Nas
outras duas partes, erigimos outras duas novas dioceses que se
dominarão de Joinville e de Lages, nomes das cidades que lhes
servirão de capitais. Elevamos á dignidade de catedrais com as
mesmas invocações e títulos as igrejas dedicadas: ...e a Nossa
Senhora dos Prazeres na cidade de Lages” (Dada em Roma, em S. Pedro,
no ano do Senhor de 1927, dia 17 do mês de Janeiro, quinto ano do
Nosso Pontificado. + O Cardeal O. Cagiano de lai, Bispo de Sabina e
Poggio – Mirteto, Secretario da S.C. Consistorial, Chanceller da
S.E. Romana).
Construção da Catedral (1° Plano) e
Colégio Sta.Rosa de Lima - 1914
Vista Parcial da Cidade de Lages
1915
Primeira fachada do Colégio Sta.
Rosa de Lima - 1924
Criada em 1927 foi
instalada definitivamente em 18 de outubro de 1929. Daí para frente,
a tarefa principal girou em torno da estruturação e evangelização da
nova Diocese, estando à sua frente o primeiro bispo diocesano Dom
Daniel Henrique Hostin (1927-1973).
As preocupações fundamentais da ação pastoral centravam-se na
celebração dos sacramentos, na disciplina, enquanto aplicação das
normas jurídicas, na catequese, fortalecendo os conteúdos e verdades
da fé católica. Foi um modelo de Igreja fundamentado na “razão”,
isto é, a pessoa cristã deveria saber as razões da sua fé, conhecer
a doutrina através do catecismo. Este trabalho, embora caracterize
uma Igreja hierárquica, juridicista e doutrinal, deu consistência
religiosa às atuais comunidades católicas. Foi o tempo da
estruturação da Diocese de Lages, que se estendia no planalto,
centro e oeste do Estado (1920-1964). Fundou-se o Seminário
Diocesano com a finalidade de estimular o ministério do presbítero.
Nos primeiros tempos (1766-1920), expressou-se uma “Igreja Cabocla”.
As manifestações religiosas, os cultos e as crenças partiam da
intuição da fé afro-luso-brasileira ou cabocla, obedecendo à cultura
própria da região e a resistência do povo empobrecido. Ao mesmo
tempo, o povo recebia a presença missionária dos padres, que de
tempo em tempo, visitavam os povoados e vilas para a celebração dos
Sacramentos. Expressões de liderança política e espiritual da Igreja
Cabocla foram João Maria de Agostinho, João Maria de Jesus e José
Maria, destaques em todo planalto catarinense. Esses “monges” ou
“profetas”, como eram denominados pela população, exerceram forte
influência sobre essa forma de religião popular. A história conta
que andaram pela região, no período de 1870 a 1916.
Parcial da Cidade de Lages - 1927
Até 1926 a
Igreja em Santa Catarina encontrava-se organizada numa única
diocese, a diocese de Florianópolis. Devido à extensão
geográfica e às necessidades pastorais, as primeiras
dioceses desmembradas foram Joinville e Lages, com a bula
papal “Inter Praecipua” de 1927.
Nos tempos da
instalação da Diocese, o modelo de Igreja foi a “Igreja Romana”, ou
seja, processou-se a romanização da Igreja, configurada no Concílio
de Trento (1535) e nas orientações disciplinares do Concílio
Vaticano I (1875).
Chegando o tempo da renovação da Igreja através do Concílio Vaticano
II (1962-1965), das Conferências de Medellin (1968), DP (1979),
Santo Domingo (1992) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
– CNBB, apresentou-se o modelo de “Igreja Povo de Deus”, que se
aproxima do povo. A Igreja Povo de Deus quer evangelizar esse mesmo
povo e ser evangelizada por ele, levando em conta sobretudo a
cultura e a realidade.