A
história do povo serrano vem de longe, do povo indígena araucano da
terra das araucárias, da terra do “Karú”. Há 4 mil anos, os
índios Kaingangs, Xoklengs, Guarani e Carijós, habitavam esta região
da América do Sul. As grutas das montanhas de Urubici, a Serra do
Corvo Branco e do Rio do Rastro, os sítios arqueológicos em Anita
Garibaldi e Celso Ramos, são documentos históricos da presença
destas culturas. No ano de 2004 foi encontrado no sítio arqueológico
de Celso Ramos resquício em cerâmica considerado, pelo exame
científico do “carbono 14”, o mais antigo das Américas, datado em
2.860 ac. (fonte:
Correio Lageano de 25/10/2004).
Os colonizadores portugueses, a partir de 1500, submeteram os índios
e, em 1600, capturaram os negros da África para o trabalho escravo.
Em 1658 chegaram em Santa Catarina os primeiros negros escravos. A
maior concentração deu-se no litoral, pois as armações da pesca da
baleia exigiam o trabalho escravo. Quando houve a extinção das
armações de baleias, em 1851, havia no litoral catarinense mais de
15 mil negros escravos. Uma parte destes foram vendidos para o
trabalho das fazendas do planalto serrano. Quando falamos da
fundação de Lages, imaginamos Antônio Correia Pinto de Macedo
acompanhado por 12 famílias de escravos. Mas, desde 1660, estavam
chegando neste planalto os antepassados de fazendeiros e estes foram
senhores de escravos. Os escravos comprados em nossa região vinham
também de outras regiões do Brasil e da África. Os escravos não
podiam ler e escrever. Não podiam também ficar doentes por mais de
sete dias, pena a tortura corporal ou a venda. Desta situação de
violência e necessidade vem o costume da cura através do poder das
ervas, tão presente na nossa medicina popular. Existem escrituras da
compra de escravos na feira de gado de Sorocaba, em 1848. Existe
também escrituras de escravos vindos da Nigéria (África). Muitas
escravas negras “perdiam” suas crianças no parto e isso fazia com
que amamentassem os filhos das senhoras brancas.
Os principais
colonizadores da região serrana foram os bandeirantes paulistas.
Vieram com a finalidade de definir e guarnecer a fronteira entre os
colonizadores portugueses e espanhóis. Começou, portanto, há 500
anos a disputa entre os poderosos e a exploração econômica sobre a
maior parte da população serrana. As conseqüências do poder
concentrado, da exploração econômica, da dominação e submissão
cultural permanecem até hoje na vida do povo serrano. O nível de
qualidade de vida de alguns municípios da região serrana é comparado
ao nível de algumas regiões do Nordeste brasileiro.
Lages foi fundada em 1766 por Antônio Correia Pinto de Macedo. Era
uma vila de pouso e passagem do gado das “Vacarias” (RS), até
Curitiba (PR) e Sorocaba (SP). Muitos dos moradores são descendentes
de tropeiros que acompanhavam o gado. O poder político e econômico
sempre esteve ligado às fazendas de criação de gado. Depois veio a
exploração do pinheiro e do agro-negócio. A presença dos Kaingangs,
Xoquelens, Araucanos, Guaranis, Carijós povos indígenas; Sudaneses,
Yorubás, Mina, Gegês e Bornus, vindos da África; Portugueses,
Espanhóis, Alemães e Italianos, vindos da Europa, constituiu etnias
e culturas que modelaram a face do povo serrano. Uma face bonita,
com pele morena e olhos brilhantes de jaboticaba madura. A face
cabocla é o rosto predominante. O rosto caboclo, junto a rostos
negros e brancos, forjou o povo serrano.